Mãos de um adulto guiando as mãos de uma criança no torno de barro

Todo oleiro aprendeu com alguém.

O Instituto Ensinança junta mestres artesãos de Pernambuco e do Ceará com quem quer aprender o ofício do barro e da linha. E paga os dois.

Artesã idosa sorrindo, com lenço estampado na cabeça

Os mestres estão envelhecendo

Em Tracunhaém e no Alto do Moura, o barro passa de mão em mão há gerações. Hoje, menos jovens ficam para aprender, e quem revende fica com a maior parte do preço de cada peça.

Quando um mestre para de trabalhar, o que ele sabe costuma parar junto.

Cada ofício tem sua terra

Cinco tradições, cada uma com sua cidade, seus materiais e seu jeito de ensinar.

Mãos sujas de barro moldando uma peça no torno Cerâmica de torno

Cerâmica de torno

Tracunhaém, PE

Potes, jarros e moringas puxados no torno, do jeito que a cidade aprendeu com os avós.

Bonecos de barro com chapéu de vaqueiro Bonecos de barro

Bonecos de barro

Alto do Moura, Caruaru, PE

Figuras do dia a dia do sertão, modeladas à mão na rua onde trabalhou Mestre Vitalino.

Mãos trabalhando uma renda branca Labirinto e renda

Labirinto e renda

Ceará

Pano esticado no bastidor e fio puxado um a um. Uma toalha pode levar dois meses.

Mãos de uma senhora trançando fitas de palha coloridas Trançado de palha

Trançado de palha

Ceará

Palha tingida e trançada em bolsas, chapéus e cestos, sentada no batente de casa.

Senhor de cabelos brancos trabalhando a madeira em sua oficina Madeira

Madeira

Cariri, CE

Brinquedos e utensílios feitos com ferramenta de mão, em oficina de fundo de quintal.

As mãos por trás das peças

Oleiro idoso de camisa listrada vermelha diante de uma fileira de potes
“Meu pai botou minha mão no barro quando eu tinha seis anos. Ainda tô aprendendo.”
Seu Antônio, oleiro, Tracunhaém
Senhor de barba branca sentado no chão ao lado de um caminhão de madeira
“Todo brinquedo que eu faço, algum menino gasta de tanto brincar. É assim que eu sei que ficou bom.”
Seu Zé, marceneiro, Cariri
Rendeira trabalhando no bastidor
“Uma toalha são dois meses. O povo precisa saber disso.”
Dona Fátima, rendeira, Ceará
Mãos cortando uma linha, em preto e branco

Ninguém nasce sabendo puxar um pote. Alguém tem que ter a paciência de ensinar, e alguém tem que ter a paciência de aprender.

Mestra Lúcia, ceramista do Alto do Moura

Como a gente trabalha

1

Mestre e aprendiz

Pagamos um mestre para ensinar um aprendiz durante um ano inteiro. E pagamos o aprendiz para aprender, para que ele não precise escolher entre o ofício e o sustento.

Duas mulheres modelando juntas um vaso de barro
2
Oficina de cerâmica ao ar livre com várias alunas

Oficinas abertas

Uma vez por mês, aulas de barro e de linha na praça ou no quintal de um mestre. Crianças e adolescentes da comunidade não pagam nada.

3

Venda justa

Quem faz define o preço. Pelo menos 70% de cada venda vai direto para o artesão, sem atravessador no meio.

Pilão de madeira numa banca de feira

Um ano de aprendizado custa R$ 9.600 →

Do Cariri ao Agreste

Dos povoados do interior do Ceará às ruas de oleiros do Alto do Moura, o trabalho acontece nos lugares onde esses ofícios nasceram.

  • Tracunhaém, PE
    cerâmica de torno
  • Caruaru, PE
    bonecos de barro
  • Barbalha, CE
    madeira e palha
  • Juazeiro do Norte, CE
    renda e bordado

Quando um aprendiz termina o ano, a oficina do mestre ganha mais um par de mãos.

Janela de ateliê com venezianas verdes e peças artesanais à mostra
Oleiro moldando um grande pote de barro