Cerâmica de torno
Cerâmica de torno
Tracunhaém, PEPotes, jarros e moringas puxados no torno, do jeito que a cidade aprendeu com os avós.

O Instituto Ensinança junta mestres artesãos de Pernambuco e do Ceará com quem quer aprender o ofício do barro e da linha. E paga os dois.

Em Tracunhaém e no Alto do Moura, o barro passa de mão em mão há gerações. Hoje, menos jovens ficam para aprender, e quem revende fica com a maior parte do preço de cada peça.
Quando um mestre para de trabalhar, o que ele sabe costuma parar junto.
Cinco tradições, cada uma com sua cidade, seus materiais e seu jeito de ensinar.
Cerâmica de torno
Potes, jarros e moringas puxados no torno, do jeito que a cidade aprendeu com os avós.
Bonecos de barro
Figuras do dia a dia do sertão, modeladas à mão na rua onde trabalhou Mestre Vitalino.
Labirinto e renda
Pano esticado no bastidor e fio puxado um a um. Uma toalha pode levar dois meses.
Trançado de palha
Palha tingida e trançada em bolsas, chapéus e cestos, sentada no batente de casa.
Madeira
Brinquedos e utensílios feitos com ferramenta de mão, em oficina de fundo de quintal.

“Meu pai botou minha mão no barro quando eu tinha seis anos. Ainda tô aprendendo.”

“Todo brinquedo que eu faço, algum menino gasta de tanto brincar. É assim que eu sei que ficou bom.”

“Uma toalha são dois meses. O povo precisa saber disso.”

Ninguém nasce sabendo puxar um pote. Alguém tem que ter a paciência de ensinar, e alguém tem que ter a paciência de aprender.
Mestra Lúcia, ceramista do Alto do MouraPagamos um mestre para ensinar um aprendiz durante um ano inteiro. E pagamos o aprendiz para aprender, para que ele não precise escolher entre o ofício e o sustento.


Uma vez por mês, aulas de barro e de linha na praça ou no quintal de um mestre. Crianças e adolescentes da comunidade não pagam nada.
Quem faz define o preço. Pelo menos 70% de cada venda vai direto para o artesão, sem atravessador no meio.

Dos povoados do interior do Ceará às ruas de oleiros do Alto do Moura, o trabalho acontece nos lugares onde esses ofícios nasceram.
Quando um aprendiz termina o ano, a oficina do mestre ganha mais um par de mãos.

Toda peça é assinada. Cada anúncio diz quem fez, onde e quanto tempo levou.
